sábado, 18 de março de 2017

Escolas mirins desfilam no Sambódromo com apoio de sambistas que brilham no Grupo Especial

Redação Carnavalesco

Na tarde desta terça-feira foi o dia das crianças desfilarem na Marquês de Sapucaí. Diante de um bom público nas arquibancadas e frisas, a Miúdas do Cabuçu foi a primeira escola a entrar na avenida. A agremiação pediu a benção aos orixás e homenagearam Machine, o síndico do Sambódromo e um dos idealizadores do carnaval mirim. A jovem bateria e o carro de som composto por Richard e João Victor.
Logo após, foi a vez da Tijuquinha do Borel desfilar na tarde de terça com o enredo do carnaval anterior da sua escola- mãe, Unidos da Tijuca “Semeando sorrisos, a Tijuca festeja o solo sagrado” destacando-se pelo belo conjunto alegórico e de fantasias.
Animada, a Inocentes da Caprichosos levantou a Sapucaí com a apresentação casal Arthur Duhan e Gabriela Duhan. E a empolgação dos seus pequenos componentes. A Golfinhos do Rio de Janeiro foi a terceira escola a pisar na avenida com o enredo sobre o produtor Teteu José. A Corações Unidos do CIEP trouxe solidariedade e comoção fazendo homenagem às vítimas do acidente aéreo do time da Chapecoense no fim do ano passado. Destaque para o lançamento balões brancos em um de seus setores.
Com pinta de gente grande, a Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy apresentou belas fantasias, principalmente a do primeiro casal auxiliado pelo mestre-sala da Ilha, Philipe Lemos.
– Fico muito feliz de ver as crianças mantendo a nossa tradição, nossa cultura acesa. Primeira vez que venho apresentando o primeiro Casal, fiquei meio tímido, meio sem jeito, mas muito feliz – disse o mestre-sala.
Já na metade da ordem, foi a vez do Império do Futuro abrilhantar a noite. A agremiação de Madureira, exaltou as glórias da sua escola mãe Império Serrano, um fazendo um desfile orgulhoso e seguro, destaque para comunicação de frente bastante sincronizada.
Após a Império do Futuro, a vez foi de Oswaldo Cruz e Madureira darem o tom com o desfile da Filhos da Águia. Com o samba na ponta da língua e bela ala de passistas, a escola animados as arquibancadas da Sapucaí na noite de terça, emocionando o presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães. Ele comentou da importância de incentivar o desfile mirim.

– Isso é uma preocupação que todas as escolas deveriam ter: formação de lideranças. O carnaval tá sofrendo “ataques” de outras culturas o que é natural numa sociedade múltipla, globalizada. Isso é mais do que comum. Não é mais aquela festa de filhos e netos de escravos que tinham uma característica própria. Então, carnaval é apenas mais um desses grupos, mais uma dessas tribos. Então, tem que formar lideranças muito fortes para resistir e conviver com todas essas culturas que estão vindo por aí. 
Escola mirim da Baixada, a Pimpolhos da Grande Rio, trouxe para o desfile de 2017 o enredo “100 anos de samba, Pimpolhos de bamba!” Do carnavalesco Clebson Prastes. O samba da Pimpolhos foi cantado por Ruan Paiva que foi acompanhado pela bateria sob o comando de Fabrício Machado de Lima (Mestre Fafá) que veio com a fantasia de Ogans. O casal de Mestre-Sala e Porta Bandeira Felipe Vianna e Taciana Couto veio com a fantasia bate tambor, que representava os ibejis, crianças em Iorubá. Como destaque do desfile, a Comissão de Frente foi bastante aplaudida. Quem estava presente no Sambódromo era o casal de coreógrafos da comissão de frente da Grande Rio, Rodrigo Negri e Priscilla Motta. Segundo Rodrigo, eles foram ao desfile para prestigiar Camila Soares presidente da escola. Para Rodrigo, o trabalho realizado pelas escolas mirins é fundamental para quem sabe um dia estas crianças defenderem a Grande Rio. 
– É maravilhoso. Isto é investir no talento. Tem muita gente super talentosa que poder ser Mestre-Sala, Porta-Bandeira, diretor de bateria e sair na comissão de frente.
A próxima escola mirim que se apresentou foi a Mangueira do Amanhã. A Verde e Rosa que trouxe como tema “A Bahia de ioiô e de iaiá e Carlinhos Brown” elaborado por Bruno Faria. A bateria veio vestida de Timbaleiros. O casal da Mangueira do Amanhã, Matheus e Vitória vieram com a roupa Festas Juninas. O samba foi cantado por Dowglas Diniz. Como destaque do desfile o segundo carro “Tabuleiro da baiana”, que jogou para o público presente nas frisas doces e bolas. A ala “Festa de Iemanjá veio coreografada. O presidente da Mangueira, Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, acompanhou o desfile. Para ele, o trabalho com as escolas mirins é uma forma de preservar a cultura.
 – Quantos ritmistas, passistas, já saíram da Mangueira do Amanhã para a Mangueira grande? Isso é o futuro do carnaval – acrescentou o presidente.
A Estrelinha da Mocidade trouxe o enredo “Alice no País da Estrela-guia” dos carnavalescos Edson Pereira e Flavio Magalhães. O samba foi cantado por Millena Wainner. Dentre os cantores auxiliares estão Vandinho Pires e Vandrey Pires, filhos do cantor oficial da Mocidade Wander Pires. O casal da Estrelinha foi Jackson e Tamires que vestiu a fantasia ‘Sonhos de Criança”. A bateria de mestre Paulinho veio vestida de ‘Chapeleiro maluco’ como destaque o segundo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira apresentado pelo segundo mestre-sala da Mocidade Jeferson Pereira Oliveira, o Jefinho. Quem estava presente no desfile da Estrelinha foi o diretor de carnaval da Mocidade Marquinho Marino.
– Precisamos ter uma renovação. Muitos componentes já saíram da Estrelinha para a escola mãe. Ainda segundo o diretor, se faz preciso ter a manutenção das escolas mirins para que as crianças não percam o desejo de estar ali. Se não tiver a manutenção disto, a tendência é que as crianças percam o interesse. As escolas mirins têm um trabalho social importante.
Os Aprendizes do Salgueiro trouxeram para o desfile o tema “Salgueiro Apresenta – O Rio no Cinema” assim como a Academia do Samba fez em 2011. O enredo foi desenvolvido por: Renato Lage e Paulo Henrique Caetano. O cantor oficial foi Pablo Andrade, que foi acompanhado por Leonardo Bessa. A bateria foi comandada por Marco Antônio Júnior, filho de mestre Marcão, diretor da Furiosa bateria. Como destaque, os componentes mirins cantaram bastante o samba de 2011. Ao final do desfile, Leonardo Bessa contou ao site CARNAVALESCO, que o trabalho da escola mirim é necessário para a manutenção do samba e na formação do Salgueiro.
– A manutenção da escola é fundamental. Eu saí da escola mirim do Salgueiro, mestre Marcão também. Tem todo um trabalho na quadra aonde ensinamos todos os fundamentos visando o futuro da escola.

A Petizes da Penha contou “Sorria você está sendo filmado”; dos carnavalescos Diangelo Fernandes e Felipe Pereira. Samba foi composto por Leozinho Nunes e estava ao lado do carro de som. Destaque para o segundo casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Arthur e Dafyny, de apenas 07 anos. Para Leozinho Nunes, que já foi da Petizes da Penha, as crianças são o futuro do samba.
– Estou aqui para passar a mensagem a eles que passei por aqui e hoje estou no Grupo Especial. Amanhã, eles podem estar também.
A herdeiros da Vila trouxe como tema “Sou Mestre Trambique, músico e compositor. Vou lhe mostrar o samba!”, do carnavalesco Sidiney Rocha. O samba foi cantado por Yanick Mazzony e Mayara Morena que teve o acompanhamento de Igor Sorriso, cantor da Vila Isabel. Samba muito bem executado pelo carro de som e a bateria de mestre Luiz Cândido, que não economizou nas bossas. A ala das baianas fez uma homenagem a Tia Ciata. Após o desfie, o site CARNAVALESCO conversou com Igor Sorriso a respeito do trabalho realizado pelas escolas mirins.

– Importância total. O samba que a gente faz hoje, se não deixarmos legado, se não incentivar os mais novos. Amanhã acaba. Muita gente veio de escola mirim. Eu venho de escola mirim. Fiquei 4 anos nos Aprendizes do Salgueiro. Na escola de samba, a criança está convivendo com a sociedade. Elas terão uma boa base. Aqui a criança está inclusa. Vive com música, cultura – finalizou o intérprete da Vila Isabel.
Penúltima escola a desfilar a Nova Geração Estácio de Sá levou para a avenida o enredo “Na cadência do samba, vem Joel Toledo de Araújo, ou Xangô do Estácio, embaixador do Morro de São Carlos”, realizado por Oziene Furtado. O samba da escola mirim do São Carlos foi cantado por Tatiane Carvalho. O primeiro casal da escola foi formado por Iago Dionisio e Poliana Vieira e desfilou com a fantasia ‘É carnaval…Alegria!! Que representou Pierrot e Colombina. Destaque para a comissão de frente que representou situações do cotidiano.
Última escola a desfilar a Infantes do Lins mostrou como tema “Chico Spinosa em cena” que contou a trajetória do carnavalesco que assinou o carnaval da Estácio de Sá no carnaval de 2017. O enredo da Infantes foi desenvolvido por Eduardo Minnuci. O carro de som foi comandado por Bruno Rezende. Como destaque, a ala 17 lembrou o carnaval de 2016 de Chico na Estácio quando a escola do morro de São Carlos fez uma homenagem a São Jorge.
Fonte: www.carnavalesco.com.br